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Atividade Criativa: Desafio da Inclusão e Adaptação no Contexto Clínico
A Terapia Ocupacional, ao lidar com pacientes com deficiências, desempenha um papel
essencial na promoção da autonomia e da participação social. A intervenção terapêutica
visa, entre outras coisas, ajudar o paciente a desenvolver ou adaptar suas habilidades para
realizar atividades cotidianas com o maior grau de independência possível. Para isso, o
terapeuta ocupa um papel de observador, avaliando tanto o desempenho
funcional/ocupacional quanto o impacto das limitações físicas ou intelectuais nas atividades
diárias. A avaliação do comportamento lúdico também é um recurso importante para
entender as habilidades de interação e desenvolvimento social.
Crepeau, E. B., Cohn, E. S., & Schell, B. A. (Eds.). (2014).
Willard and Spackman’s Occupational Therapy (12th
ed.). Lippincott Williams & Wilkins.
Imagine que você está atuando como terapeuta ocupacional em uma clínica de reabilitação,
atendendo dois pacientes com diferentes tipos de deficiência.
Paciente A:
Grau de Deficiência: O Paciente A é um adulto com deficiência física grave, causada por
um a lesão na medula espinhal que resultou em paraplegia (paralisia dos membros
inferiores). A lesão ocorreu em nível torácico, o que significa que ele possui perda total de
movimento e sensibilidade abaixo do tórax, mas conserva a função do tronco superior, dos
braços e mãos. Sua capacidade cognitiva está preservada, o que significa que ele consegue
compreender suas limitações e tem a capacidade de aprender a adaptar-se às novas
condições de vida.
Impacto nas Atividades de Vida Diária (AVD): O paciente tem dificuldades para realizar
atividades de mobilidade (como caminhar, subir escadas e entrar em veículos), atividades de
autocuidado (como banho, vestir-se e alimentação), e atividades domésticas que exigem o uso
dos membros inferiores, como limpar a casa e preparar comida. Porém, ele tem uma boa
habilidade em tarefas que envolvem os membros superiores, como uso do computador e
atividades manuais simples.
Paciente B:
Grau de Deficiência: O Paciente B é uma criança de 8 anos com deficiência intelectual
moderada, diagnosticada com um QI entre 35-50 (considerado moderado). Ela apresenta
dificuldades significativas em atividades que exigem coordenação motora fina, como
escrever, usar utensílios de cozinha e amarrar os sapatos. Sua capacidade de resolução de
problemas e habilidades de comunicação também são limitadas, embora ela consiga se
comunicar de maneira simples e entender instruções curtas.
Impacto nas Atividades de Vida Diária (AVD): A criança tem dificuldades nas tarefas diárias
que exigem raciocínio lógico mais complexo, como planejamento de rotinas e escolhas
alimentares. Ela também tem limitações na socialização com seus pares, principalmente
devido à dificuldade em compreender normas sociais complexas. No entanto, ela gosta de
brincar e interagir com brinquedos de construção, como blocos de montar, o que pode ser
explorado nas intervenções.
Com base nas informações dadas sobre cada paciente, responda as questões a
seguir:
1- Quais elementos você consideraria na avaliação do desempenho funcional de cada
paciente? Como você faria a análise do impacto das deficiências nas atividades de vida
diária?
2- Quais objetivos terapêuticos seriam adequados para cada paciente? Como você
garantiria que esses objetivos são alcançáveis e promovem a autonomia de forma realista?
3- Que adaptações no ambiente você sugeriria para melhorar a acessibilidade e permitir a
maior independência do paciente A nas atividades de autocuidado? E para a criança paciente
B, quais adaptações você faria para facilitar sua interação com os colegas e o aprendizado de
habilidades motoras?
4- Como você usaria o comportamento lúdico da criança para promover a inclusão social e
o aprendizado de novas habilidades? Quais jogos ou atividades podem ser incorporados no
tratamento para promover a autonomia dela?
5- Qual é o limite entre oferecer ajuda e promover a autonomia? Até onde o terapeuta deve
intervir ativamente nas atividades do paciente e quando ele deve permitir que o paciente tente
realizar as atividades de forma independente, mesmo que haja risco de falha? Discuta os
possíveis dilemas éticos nesse processo.